Crítica Star Trek: Sem Fronteiras. Obrigado por melhorar meu ano!

Um desacreditado Justin Lin, uma franquia sólida e um punhado de homenagens, no final Star Trek: Sem Fronteiras é mais do que esperamos.

Star Trek: Sem Fronteiras
Star Trek: Sem Fronteiras

Star Trek: Sem Fronteiras

Star Trek Beyond

Diretor: Justin Lin

ElencoChris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Idris Elba, Sofia Boutella, Greg Grunberg,

Sinopse: Desta vez, Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto) e a tripulação da Enterprise encontram-se no terceiro ano da missão de exploração do espaço prevista para durar cinco anos. Eles recebem um pedido de socorro que acaba os ligando ao maléfico vilão Krall (Idris Elba), um insurgente anti-Frota Estelar interessado em um objeto de posse do líder da nave. A Enterprise é atacada, e eles acabam em um planeta desconhecido e divididos em duplas.

Nas mãos de fãs

Simon Pegg, que vive Montgomery Scott, é o roteirista deste filme. Em sua defesa, Simon é um treker apaixonado, definido em diversos momentos como uma enciclopédia do assunto.

Justin Lin, antes do famigerado Velozes e Furiosos: Tokyo Drift de 2006, tinha pouco a falar de sua carreira como diretor. Antes disso ele havia entregue um Annapolis que pouco agradou o público e crítica. Mas no terceiro filme de Velozes e Furiosos restabeleceu uma franquia, que poderia ter acabado facilmente se o terceiro filme fosse um fracasso. Estranhamente, após este filme, a franquia se reergueu e a cada filme entrega um nível melhor. Sem sombra de dúvidas isto é um dos méritos de Justin Lin.

Sua habilidade em dirigir ação é notável. Ele consegue com muita facilidade distribuir a história em diversos locais e ainda assim não deixar o enredo se perder ou tornar complexo a forma como ele centraliza as conclusões.

Em Star Trek, todas essas habilidades são evidentes e adicionam a Justin Lin, um igualmente notável, respeito à cultura Nerd. Oriundo de uma memória apaixonada por ter crescido assistindo a série com seu pai.

A Viagem começa agora

Star Trek Sem Fronteiras é diferente dos filmes anteriores, tal evolução é caracterizada pelos seus principais personagens. No primeiro filme, vimos um jovem Kirk tentando se estabelecer, sendo desafiado e querendo seu momento de fama, ainda na segunda parte da nova franquia, Kirk demonstra que é jovem, imaturo e irresponsável, questões que são trabalhadas e pouco a pouco entregam o Kirk deste novo filme. Um homem maduro que parece até mesmo sofrer com as responsabilidades desta vida.

Diferente do imaturo Kirk, Spock passou dois filmes tentando convencer todos a sua volta de que a lógica é o único caminho. Mas agora, após perder diversas vezes para a emoção, Spock parece aceitar sua parte humana. Parecendo entender que existe nele um pedaço que entende isso e agora precisa abraçar tais conceitos.

E com a amizade destes personagens estabelecida, sobra tempo para explorar os demais personagens. Scootty e MaCoy ganham mais relevância em seus postos e mais importância no universo. Servem não somente como alívios cômicos, mas também engrossam a qualidade da história.

Krall, vivido por Idris Elbra, é fraco perante todo o Universo Trek, não devido a sua interpretação. O vilão não passa o senso de missão que Nero e Khan tinham, desta forma, parece mais um louco desesperado do que um real vilão. Seu passado e a construção de seus motivos também deixam a desejar, parece apressada e mal preparada. No final, o que assusta de verdade e dá ao filme o senso de perigo é o seu exército e não o vilão.

Uma coisa me deixou bem irritado James Gunn, diretor de Guardiões das Galáxias (1 e 2), comentou sobre a possibilidade da errada interpretação de Hollywood sobre o sucesso de Deadpool. As músicas dos anos 80, presentes em Guardiões e Deadpool, já tiveram o seu uso errado em Esquadrão Suicida, servindo apenas para dar corpo ao marketing do filme, não tem função na história. Em Star Trek, apesar de ter uma função, me pareceu exagerado o uso delas, desnecessário e apenas modismo.

O ritmo do filme também tem algumas partes sofridas, parecendo arrastado, mas não prejudicam a ponto de tirar a empolgação nas cenas de ação.

O Veredito

Um Universo rico, uma produção com assinatura J.J. Abrams, um roteiro que respeita sua religião e história, um filme de ação com um diretor de ação. A soma disso tudo é muito superior aos seus problemas. Star Trek: Sem Fronteiras não é livre de defeitos, mas todos são muito bem compensados.

Não é livre de defeito. Mas está ótimo.
Não é livre de defeito. Mas está ótimo.

Além da nota.

Em outra parte, além do que a produção significou, existem todos os pequenos detalhes que significam muito para o espectador.

Pela primeira vez no seu reinicio, Star Trek conta uma história inédita, sem adaptação de arcos clássicos, mas nem por isso deixa de lado tudo o que estes significaram, mas apresentando isso de uma nova forma.

Existe um momento mágico em que Spock parece entender o significado de suas amizades, é maravilhoso, pois naquele momento um ator representou muito mais que seu papel, representou uma legião de fãs saudosos e respeitosos.

“Em memória de Leonard Nimoy”

“Para Anton”

Anton Yelchin e Leonard Nimoy.
Anton Yelchin e Leonard Nimoy.