Critica Mônica Força #GraphicMSP por Bianca Pinheiro

Uma história com raiz na nossa infância, mas que conversa com o adulto que somos. Uma coelhada na boca do estômago.

Depois de ler pela terceira vez, fico repassando na minha cabeça tudo o que pensei antes de abrir estas páginas e ler. O peso que a obra leva é enorme. Dar nova roupagem aos personagens que ajudaram tantos a crescer! Dar orgulho a um homem que inspirou tantas crianças! Dar aos tão felizes personagens uma história seria e tão adulta. Que responsabilidade.

As GraphicMSP’s

Após o lançamento de MSP 50 – Mauricio de Sousa Por 50 Artistas, o simpático editor chefe da Mauricio de Sousa Produções,  Sidey Gusman, viu ali uma oportunidade de desafiar o chefe e sugerir a ele o início do projeto GraphicMSP. Histórias maduras sobre a mesma turma que sempre cativou o público infantil. Sidney, uma enciclopédia de quadrinhos, não estava dando tiro no escuro.

Na recente Bienal de Quadrinhos de Curitiba, durante a mesa sobre as Graphic’s Msp, ele compartilhou com o público alguns dos desafios e alegrias do projeto. Mas era notável o seu orgulho em ver todo o sucesso atingido pelo novo segmento. Sem contar o entusiasmo por novos projetos.

Já são 12 histórias publicadas e mais 2 para sair esse ano. E como próprio Mauricio fala, “… neste selo (GraphicMSP), a proposta das releituras dos meus personagens permite a abordagem de temas pouco usuais… experimentações que têm proporcionado reações maravilhosas…”.

Bianca Pinheiro, a artista. E que artista.

No mesmo evento em que tive a oportunidade de sentir o entusiasmo do Sidão, tive a oportunidade de ouvir um pouco da Bianca Pinheiro sobre sua carreira e também a oportunidade de lhe perguntar sobre o peso de redesenhar e reimaginar Mauricio de Sousa em uma Graphic Novel. A simpatia de Bianca é mais um de seus pontos fortes. E entre uma piada e outra, ela contou que desde o primeiro momento sentiu esse peso e responsabilidade e não bastasse isso, seu trabalho viria após o sucesso de Laços, outra GraphicMSP com autoria dos irmãos Lu e Vitor Cafaggi.

Apesar desse peso, os trabalhos passados de Bianca pesam a seu favor, Bear, a história de uma menina que busca ajuda de um urso para achar seus pais, é exemplo de seu poder de transmitir uma mensagem e esse poder prova que Bianca era a pessoa certa para o trabalho de Monica Força.

Com traços magníficos, ela consegue, com essa nova roupagem, mudar completamente a forma como vemos a dentuça mais amada e ainda assim respeitar, em todos os aspectos, tudo o que a personagem tem nos clássicos.

 

Mônica Força

A quatro anos atrás eu poderia ler essa história e não sentir seu peso. A quatro atrás eu não era Pai. Ser pai cria sentimentos que mudam a forma como você enxerga muita coisa, do dia a dia até a uma história em quadrinhos.

Monica Força é feito sobre medida para atingir esses sentimentos. E Bianca Pinheiro tem uma ótima mira.

Durante o dia a dia, nos deixamos levar pelas pequenas coisas, por gotas de problemas até que alguma dessas gotas é a última que poderíamos aguentar. Assim começamos a criar no espaço onde deveriam estar sorrisos e carinhos, um emaranhado de discussões, mágoas, angustias e frustrações. O resultado que isso tudo cria é um monstro que assusta quem menos tem força para brigar contra ele.

Exceto quando falamos de Monica.

Força é a melhor forma para definir a baixinha. A garota que nunca se abalou não desiste para problemas maiores e dá uma lição que marmanjo nenhum ensina direito.

A história é “pesada” em um certo aspecto. Diferente do que esperamos de uma história da Mônica, traz à tona a realidade de muitas crianças. A personagem está crescendo, garotos fazem parte de suas conversas, o Bullying é incessante, as amizades ficam cada vez mais fortes e ainda assim novos problemas lhe desafiam. E mesmo assim, no meio desse importante ciclo, você enxerga aquela turma e suas piadas que nós amamos.

A forma como tudo isso é traduzido em quadrinhos é poderosa demais, não necessita explicação, a Graphic abusa dos traços carismáticos de Bianca tem uma sensibilidade que traduz nos desenhos mensagens que dispensam palavras, dispensa que algo se dito na história e sobre a história.

 

Sem mais.
Sem mais.